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A Banda
Os Sertões - A IDADE DOS METAIS
Os caminhos da música podem ser traçados de diferentes maneiras. Às vezes basta uma configuração diferente de elementos para que tudo ganhe um perfil novo: sonoridades, timbres, e a partir daí as próprias composições.
Formação instrumental determina caminhos mas também os limita. Uma formação padrão parece induzir tudo para caminhos já abertos e desbravados, onde se pode avançar à vontade por lugares onde todo mundo já passou. Já uma formação inusitada enfrenta pequenas dúvidas o tempo todo, e pede milhares de pequenas soluções, pequenas inventividades.
A banda Os Sertões parte de uma configuração básica de formato pouco comum. O nome remete ao sertão, de onde o ouvinte esperaria surgir uma sonoridade de viola e rabeca, ou de sanfona e pandeiro. Mas a formação tem violão+guitarra, baixo, bateria e trombone (+sopros). O som resulta num som urbano, alternadamente tenso e relaxado. Um som que evoca a febre urbana do trânsito, dos milhões de máquinas funcionando ao mesmo tempo. Ou então o silêncio da noite, quando a energia se concentra nos lugares onde a vida noturna ferve.
O sertão é a origem remota desses músicos que trazem a memória cultural do Nordeste em seu DNA, por mais que sua sensibilidade musical tenha sido aprimorada através da variedade de recursos high-tech de hoje. O instrumento pode ser importado ou recém-inventado, mas os dedos que o manipulam têm sangue sertanejo e mil anos de História.
Integrantes
-

Clayton Barros
—Voz, Violão, Guitarra -

Deco Trombone
—Sopro
Rafael Duarte
—Voz, Baixo
Pernalonga
—BateriaGaleria de Fotos
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O Disco/Músicas
O Disco
Clayton Barros, um dos fundadores da banda Cordel do Fogo Encantado (1999-2010), fazia com seu violão a ponte harmônica entre a poesia de Lirinha e a base de percussão dos demais integrantes. O sertão pernambucano de onde vieram eles não era um sertão estático, era um sertão plugado à cidade, pulsante de informação nova, uma poesia de cordel eletrificada pelo rock-and-roll.
Daí que o álbum A Idade dos Metais seja um entrelaçamento dessa energia primitiva com a tensão massacrante da cidade. Uma colagem em que os elementos de uma infância simples, junto à natureza (“Meu pé de manga adora banho de chuva / meu pé de uva se não chover se zanga”, em “Da infância”) convivem com a pressão frenética de uma civilização com pressa, em “Do Zero” ou “Alamedas”.
Trilhas sonoras de um passeio de uma câmara cinematográfica, de carro, às cegas, pela cidade – sentindo a pulsação de milhões de vidas por trás de cada fragmento de imagem captado através das lentes. Flashes de uma sensibilidade urbana capaz de chamar a mulher amada de“doida de pedra” e de conciliar a noite sem fim de “A Pedra” (insônia na boemia ou num estúdio, com participação do Otto) com a sensualidade de “Vem cá meu bem”.
Sensibilidade típica de músicos, de uma tribo que se sente à vontade na cidade e na madrugada, e para quem algumas das coisas mais importantes da vida acontecem entre a meia-noite e os primeiros raios do sol.
Os Sertões é composta pelos músicos: Clayton Barros (vocal, violão,guitarra), Deco Trombone, da banda Ska Maria Pastora (sopro), Rafael Duarte, do grupo Rivotrill (vocal, baixo) e Perna, da banda Radistae (bateria). O repertório é baseado em composições próprias, além de interpretações de Zé Ramalho (“Galope Rasante”) e Les Baxter (“Wheels”).
Braulio Tavares
Músicas
AlamedasAs cidades grandes em seus movimentos de crescimento e rush. De pressa, concreto e sanatórios. A musa doida de pedra mas eternamente querida. Os sinais e lembranças marcantes de por onde se passa. A banda marcial das escola Carlos Rios na infância em Arcoverde-PE, primeiro contato direto com ritmo e harmonia.
Flor da SaudadeA busca pela flor que se foi, das flores tristes que ficaram, um pedido a saudade que a encontre, que nos guie ate nossa flor, para que volte a chover e a florir todo o jardim.
Do ZeroA velocidade, o tempo e as cidades partem do zero. A estrada da música é a mesma onde o que muda é o meio de transporte de cada um e as diferentes direções que tomamos, aonde decidimos ir. O mundo é uma viagem pra quem está disposto a percorrer e perceber que mesmo uma queda, um pulo no abismo pode ser seu primeiro vôo.
Galope RasanteUma homenagem ao grande Zé Ramalho que sempre foi uma referência poético-musical instigante, nessa canção percebemos uma mensagem de renascimento.
Em algum lugarUma canção pra minha mãe que já se foi.
WheelsInterpretação do clássico do maestro Les Baxter (USA), abertura do filme Hells Belles.
Da InfânciaLembrancas de uma infância simples e divertida, do quintal cheio de árvores, da casa de papelão, dos carros de lata, idéia de um mundo sustentável sem a poluição intensa do petróleo (meu carro de lata nao usa petróleo, porque ele e feito da lata do óleo, salada, almoço, seu moço de mão lavada). Da vida feliz no interior perto da natureza.
Cavaleiros da Ordem do DesertoUma homenagem aos anos bem vividos na época do Cordel do fogo encantado, uma lembrança aos soldados de elite, da comunidade do Caldeirão do Beato Lourenço-CE.
SilêncioUm bolero aos jovens de alma antiga, aos corações partidos pelas palavras que quando ditas, calam qualquer sentimento, um dia lindo que surge e com ele traz uma nova chance ao amor, pois quando algo assim acaba nunca mais.
A PedraA noite é a grande mãe das inspirações boêmias, nos estúdios, nas rodas de amigos. E a vida tem seu peso que é de pedra e muitas vezes temos de carrega-las, o que também nos torna mais fortes, para que possamos edificar nossos sonhos em rocha bruta para que durem e se tornem realidade, a realidade que e viver de música.
Vem Cà Meu BemA mulher sempre estará nas melhores lembrancas do homem, do primeiro do encontro ao primeiro beijo, do amasso, o desejo. Quando a timidez masculina se transforma em cantada, em paixão.
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